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Polícia prende 10 e fecha oito farmácias no Rio

Polícia prende 10 e fecha oito farmácias no Rio

Vinte farmácias que seriam utilizadas pela milícia chefiada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira. Os estabelecimentos, segundo a Polícia Civil, eram usados para lavar o dinheiro do grupo que atua principalmente nas Zona Oeste e Baixada Fluminense. Uma das fontes de renda seria a rede de farmácias Cumani, que tem filiais em diversas regiões onde a milícia atua. O Conselho Regional de Farmácia (CRF) acompanhou a ação que ocorreu em sete bairros. Até 11h20, dez pessoas haviam sido presas e oito farmácias interditadas.

Segundo a Polícia Civil, foram encontrados medicamentos de uso controlado e anabolizantes de comercialização proibida. Os produtos apreendidos foram levados para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho.

— Gerentes e responsáveis legais pelas farmácias foram presos. Além de lojas funcionando sem as licenças, encontramos medicamentos de uso controlado sem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que configura crime contra a saúde pública. Estamos analisando alguns (remédios) que poderão configurar crime de tráfico de drogas — disse Felipe Curi, delegado titular do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE).

A operação é mais um desdobramento da força-tarefa da Polícia Civil, criada para combater o crime organizado na Baixada Fluminense e também na Zona Oeste e evitar que exerçam algum tipo de influência nas eleições deste ano.

Na filial da farmácia Cumani na Rua Carvalho de Souza, em Madureira, os investigadores verificaram os documentos do estabelecimento e vasculharam o depósito onde são armazenados medicamentos. Às 10h, a polícia determinou que o estabelecimento fosse fechado e e interditado.

Ao todo, sete funcionários foram dispensados e tiveram que voltar para casa. Os dois responsáveis, um gerente e um farmacêutico, foram detidos e conduzidos à Cidade da Polícia para prestarem esclarecimentos. Diversos relatórios e medicamentos foram apreendidos.

Além das lojas da Cumani em Madureira, os investigadores estivarem em filiais de Campo Grande, Santa Cruz, Cosmos, Paciência e Urucânia (sub-bairro da Zona Oeste). A rede de farmácias a preços populares também está presente em Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Itaguaí.

De acordo com o CRF, a empresa não tem licença junto ao órgão para abrir filiais.

— Nessa empresa, recebemos muitas denúncias de que havia uma abertura de filias, mas elas estavam ilegais que configuram tráfico. Apreendemos muitos enternecestes nesses locais — disse Denise Ribeiro, porta-voz do CRF.

O EXTRA tentou localizar a direção da empresa ou o escritório que representasse a Cumani mas não conseguiu contato em nenhum dos telefones disponibilizados no site.

O Portal dos Procurados oferece uma recompensa de R$ 10 mil pela captura de Ecko. O anonimato é garantido. O telefone para a denúncia é o (21) 2253-1177.

Ameaças a fiscais

André Neves, titular da Delegacia do Consumidor (Decon), afirma que a milícia passou a ameaçar fiscais do Conselho de Farmácia em áreas dominadas por grupos paramilitares. A partir dessas denúncias, os investigadores acreditam que essas empresas eram utilizadas para a lavagem de dinheiro dos criminosos.

— Essa investigação começa a partir de notificações do CRF. Fiscais do órgão receberam ameaças de morte durante as fiscalizações (em área de milícia) e a partir daí comecemos a apuração. Hoje, chegamos nesses locais e encontramos dezenas de medicamentos controlados sem permissão e autorização da Anvisa. Além isso, muitas dessas lojas estavam sem alvará de funcionamento — afirmou Neves.

Neves destacou a importância de preciso combater o braço financeiro desse grupo paramilitar.

— Sabemos que a milícia tem vários braços financeiros, e farmácia é um deles. Há suspeita de lavagem de dinheiro e as investigações estão em andamento para atacar esse grupo que lucra com o dinheiro alheio — afirmou o delegado.

Todos os detidos responderão pelos crimes contra a saúde pública, economia popular, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

— Vamos analisar a conduta de cada um, e essa investigação prossegue.

Braço financeiro da milícia

operação atinge o braço financeiro do grupo paramilitar chefiado por Wellington da Silva Braga, o Ecko e tem como objetivo asfixiar as fontes de renda e interromper comércios e serviços ilegais, que geram lucro para a organização criminosa.

Somente este mês, dois candidatos a vereador em Nova Iguaçu foram assassinados. Mauro Miranda da Rocha (PTN) foi morto no dia 1º em uma padaria. Quase dez dias depois, Domingos Barbosa Cabral (DEM), também foi morto a tiros no município.

A operação desta quarta-feira conta com as equipes dos Departamentos de Polícia Especializada. Além da Delegacia do Consumidor (Decon), Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD); Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM); Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA); Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) e Divisão de Capturas da Polícia Interestadual (DC-Polinter).

Fonte: Extra.Globo Mais notícias aqui.

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